domingo, 29 de julho de 2012

De sóis e mares


Cortejo o teu corpo,
Cortejo os teus lábios,
Cortejo a tua pele,
O teu afago, o teu gosto,
O teu riso, o teu cheiro.

Horizonte.
Salga a minha boca
Com teu gosto de mar,
Toca aos meus olhos
Esse teu rosto de sol.

Cristaliza
Esse desejo
Que nos consome
Até os ossos,
Que nos prende
E liberta
Em espasmo.

Mata essa sede
De mergulhar na tua órbita,
De calar esses anseios
De tus ojos en blanco.

Faz desses meu versos
Céu e melodia,
Leva-os num barquinho
Até o limiar
Dos silêncios...

Murmuras então,
Por entre esse Jazz
Das estrelas de Calíope,
E vem cá me fazer
Um cafuné,
Minha morena.

domingo, 17 de junho de 2012

De Gnomos e Fadas


Tenho três órbitas,
Um anel, uma história.
Tenho uma ideia,
Uma expectiva,
Um anão de jardim.

De repente palavras,
de repente silêncio;
Que preenche,
Que escolhe,
Que tece tua leitura
em partituras
Que só tu podes
Ouvir e tocar.

Tenho esse poema,
Feito, refeito, contrafeito,
Apressado, rarefeito...

Tenho essas saudades universais
Dos lugares das pessoas
Dos tempos das ideias
Que Morfeus me traz,
Dos versos inscritos na pele,
Dos lábios a versar ao pé-do-ouvido.

Tenho essa serenidade pulsante
Que observa de olhos fechados,
Que cala e transborda
E caleja meu corpo
Em versos e palpitações.

Tenho um conto,
De Gnomos e Fadas,
Que ainda não escrevi.






sexta-feira, 27 de abril de 2012

Em 22 primaveras


Das flores, eu encontrei
Os versos podados.
Antes os olhos meus
Que rasguei
Primeiro,
Que todos os sábios
E santos 
E loucos...

"Antes os sonhos teus
Que os renego um a um
Se tu nāo me surpreendes."

Eu escondi a minha poesia
Na tua boca, a semente
Dos meus versos brancos
Que abandonei 
Na idade dos sonhos.

"A semente que se devora,
Que se regurgita,
Que se masca,
A semente que desossa
Nas prisões da eternidade."

Pois não é você a face de Deus
Que encontrei nessa vida?
Você que é o meu oráculo,
Você que mesmo sem saber
Sempre me mostra o caminho.

"Você que escreve aqui, comigo,
Hibernando aquelas lágrimas
De dentro,
Marcando as páginas
E os textos
De  memórias
Das mais imaginadas..."

Você por quem eu rezo baixinho,
E que afasto de meus espelhos e rituais.
Você a quem ofereço minhas preces
Em todo despertar com olhos de velcro.

"Você que, como eu,
Vive e escreve
Em Cuentos de Hadas..."


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tiny Dancer

Desverbaliza,
Teus olhos
Em poesia,
Tua boca
Num sussurro
Aos meus ouvidos.

De fragmentos,
O salto das estrelas
A dança entre as escadas
A lógica do caos
O instante e o universo
A órbita de Tânatos
As peles de Eros,
De magnetos.

O espelho
Dos teus olhos
Em cores,
O charme
da tua voz
no canto...
Dos meus lábios.

Derretes e me completa,
Revive a minha alma de poeta
Por entre os abraços da noite
E a insensatez das manhãs.



domingo, 8 de janeiro de 2012

Das transformações vulpinas

Dizem que as raposas
se entendem, antes de
qualquer verso, palavra,
verbo ou ruído....

As raposas
Que são crianças
Selvagens...
As raposas
Que brincam
No escuro...
As raposas
Que se escondem
Sagazes,
Atrás de um sorriso
Faceiro...

E duas raposas
Tocaram os focinhos
De leve uma na outra,
O toque desajeitado,
Incerto, inseguro.

Pois dizem que as raposas se entendem,
Antes de qualquer verbo ou ruído;
Especialmente as literárias...

E o silêncio do corpo
E da alma
Sempre lhes é
Um intento de dizer
Que seu príncipe
De instante,
Momentos, segundos
E eternidades...
Já existe.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Senun Cossenun

Como que vertes
A vida em palavras,
A água, as bebidas,
Os cigarros, as pessoas...
O palco é teu,
Sempre o foi.

Então interpretas, diriges,
Me rouba uma noite
E me assistes ao teu lado,
Indeciso.

A tua língua é memória,
Metálica memória;
Os teus lábios são quentes,
Teus movimentos sutis
E experientes.

Catarse,
Tu não sabes.
Tu és espelho
De tudo que não,
Não me aproximaria;
Daquilo que mantenho,
Por bom senso e dignidade,
Tácita a minha distância.

Tangencias então,
A minha e a tua morte
Em teus cabelos de fogo,
Tuas tatuagens-reflexo
De alma e drama e lama.
Completas mais um vértice
Deste meu triângulo.

Liberta-me e queimas
Aqui, comigo...
Me guarda em tuas cinzas
De que se fazem renascer.
E se por acaso me esqueces
Com a mesma facilidade
Com que me devoras,
Saibas por certo
Que meu destino
Nunca foi outro
Que não desaparecer
Ao primeiro raio da manhã.

A maçã de alguém

Quando vagueias pela noite,
Os passos te levam a destinos
Dos mais inusitados.
Quando circulas entre outros
São estes os que te miram,
Que te marcam, que te contam
Em histórias de sussurros...

Pois escutas agora,
Sê táctil pra mim
Assim um instante,
Te entrega e depois
Entrega-te e confessa.

Excitas e falas
Do que não lhe basta,
Do que sentes falta
Do que não tens
E te perturba o sono,
As pernas, as coxas,
O corpo todo.

Mas a confissão veio antes,
As palavras, as hesitações,
E eu que as calei
Em segundos diminutos;
E logo depois voltei aos círculos.

Tanto faz, eu sei,
Assim, pra partes de mim.
Mas se és só um dia, fuga e memória,
Isso não significa não serdes poesia.