sexta-feira, 27 de maio de 2011

Versos teus

"Versos meus, os lábios
A recitarem-se de leve nos teus,
Os pátios de Deleite;
Seus olhos atemporais
Em palcos perpétuos,
Sonho e Devaneio."

Vez ou outra procuramos
Nos signos e estrelas,
Na palma das mãos,
Formas de nāo verbalizar,
De um dizer não dizer
Mais que sonoro,
Transcedental.


Pois existem palavras
Que a gente
Simplesmente não diz;
A gente apenas cala
Na boca que se gosta.

domingo, 15 de maio de 2011

Rume logo esses dados - Charles Bukowski

Se você vai tentar,
Se jogue mermão,
Ou nem comece.

Se vai tentar,
Jogue duro até o fim,
Nem que perca a namorada,
esposa, os trabalhos, parentes,
talvez até a própria cabeça.

Vá até o fim.
Seja sem comer por 3 ou 4 dias,
Congelando no banco da praça.
Seja na prisão,
Aprisionado em escárnio,
zombaria, solidão,
Isolamento.

A clausura é o néctar.
Todo o resto é ensaio
De irreticência,
Do quanto você realmente
Quer fazê-lo.
E assim o fará,
A despeito de retaliações ou rejeição,
E será melhor
Do que qualquer coisa
Que algum dia você possa imaginar.

Se for pra tentar,
Vá até o fim.
Não há nenhuma sensação
como esta.
Você estará sozinho com os Deuses
E as noites condensarão em fogo.

Vá, faça, não pare,
Faça.

Até o fim,
Até o fim.

Você cavalgará a vida
em seu mais perfeito riso,
a única boa luta
num caminho nunca findo.

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Créditos a Vanessa por trecho e sugestões. ^^

domingo, 17 de abril de 2011

A você mesmo

"Faz um tempo, eu sei
Que decidi escrever e guardar
Todas essas sensações...
Só para teus olhos curiosos."

Quando acaso e encontrar se tornam paraíso.
Quando o teu sorriso me desarma.
Quando só pensar em você...
Torna em silêncio o meu mundo.

"Eu nem sei bem
Como fui te conhecer,
Assim, por aí
E sem qualquer intenção."

Quando você que é sonho,
Sonho lépido e errante,
De repente passa a existir
No meu mundo.

"Eu nem sei bem
Como viestes a te tornar
Parte das minhas palavras
E versos e devaneios."

Quando esse pulsar
De instante e horizonte
Se concentra em fração aleatória
De Desejo-inexplicável,
Desejo perdida por entre sóis e nuvens.

"Faz um tempo, eu sei
Que decidi calar por aqui
Todas essas imagens tão súbitas,
Só para entender onde estou."

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Pois a chuva continua a cair lá fora, intermitente. E certas coisas são apenas inexoráveis, ou levam mais tempo do que se pode prever. Outras, ainda, se encontram naquele processo de composição frágil que qualquer ventania pode ruir ou levar embora por essas faunas citadinas. E eu realmente não me preocupo com isso, apenas queria dar voz a esses teus reflexos tão meus...

Porque por mais que futuros se projetem, o Agora sempre vai ter esse quê de completude e absoluto que a gente vislumbra em nossos quase-que-perpétuos processos de autocomposição, expectativa e desapego.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Astray, Phoenix.

"Sweet"

Surpreende,
Mesmo em silêncio,
Em perspectivas, eternidade.

"Spooky town"

Os passos correm por entre árvores de pedra,
A tinta a jorrar febril dos ramos crônicos,
Fractalmente esculpidos por Cronos.

"Snow is crackling cold"

Os flocos fatalmente a definir
A geometria das tuas idéias,
O bailar de possibilidades.

"With the moon I run
Far from the Carnage of the firey Sun"

O navegar por entre ares e palavras,
Earëndil, marinheiro de inexatas ondas púrpuras;
Nubilíneas, tuas constelações de sonhares.

"I'll bleed you dry"

Os contornos desses versos em nuvens,
O sangue antrópico de desertos e praias,
Essas areias que nos prendem e libertam.

"A storm bubbling up from the sea"

O meu oásis nesse fluxo frenético,
De viver em onírico improvável
Nas tuas mãos evanescentes.

"Ashes and ashes,
To the dust I drag it all
Into an hourglass,
Just to see it burn
Back in fire, once again"

segunda-feira, 7 de março de 2011

Silêncio e Nostalgia

À meia-noite fitei o sol a bailar em listras preto e branco na borda da cidade dos sonhos.

Paradoxo,
um daqueles filmes antigos em que movimento fala mais do que palavras, em que elas se escrevem sozinhas por detrás dos teus olhos. Fiquei estático a contemplar o cenário, as pessoas ao meu redor pulando, o mundo repleto de cores e a lua inusitadamente a engolfar meus pensamentos soturnos para muito além daqueles olhos oceânicos que Neruda um dia viera a me mostrar em seus versos-espelho.

Não sei exatamente contar esses quadros e reflexos que flutuam diante de mim em segundos abruptos e algo atemporais. Não consigo precisar os minutos que me pego a pensar em infinitas possibilidades ou a hora em que tudo se resume a um desejo mais que óbvio para além desses silêncios reticentes...

Sei apenas que guardei todos esses teus raios e sorrisos em eclipses oníricos bem aqui, dentro de mim.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Faia

"A faia é a melhor árvore para inscrever mensagens: coração que nela se grave não se apaga, antes se expande sem distorções e dura uma vida inteira"

Faias e aqueles tipos de idéia que a gente sempre sonha em reescrever.

"
Por mais que as palavras mudem, sabes que te gosto..."

"Porque talvez só ao teu lado e nos teus olhos eu possa brincar de um dia acreditar no amor."

"Porque tu faz mais falta do que imaginas, e saudades sempre se concretizam em ações ou palavras"

"Porque eu já te vi e seres mágicos a gente nunca esquece"

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Saudade...

Que mergulha em palavras como quem se afoga em nuvem-carbono-oxigênio. Descoordenada, sistêmica, evaporante a sentença autofágica. Devora idéias como quem desliza entre histórias, colhendo passagens, o asfalto-silêncio das mesmas.

Fumaça, fuligem, a flor das memórias em chamas desbotadas, transe; some, desaparece, entretece presença inesperada. Corre por Atlântida de ponta cabeça, atlante espera - ampulheta a cair em reflexo de estrelas oceânicas, salgando celestes os teus livros ainda-não-lidos.

Silenciosa saudade, nua em partitura a se compor, fragmentada logo ali ao teu lado, a ensaiar palavras em prelúdios, não ditos. Os ecos dessa mesma saudade universal que transborda tua boca em citações, com essas tuas idéias tão lidas, tão suas, tão veementes que engolfam cor e alma em tua face, leitora.

Silente saudade, que em mim se torna melodia e curiosidade. Nem sei bem quais são essas cores azuis da saudade. Mas sei que elas, aqui, te eternizam.