segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Indecisões em ponto e vírgula.

Eu olho pras pessoas em termos universais e fico com saudade da tua face. É um tipo meio bobo de pensamento-ideamento, não é?

Talvez, ou só, só - que
o que mais me incomoda
é projetar interesse
ou a idéia de interessante
o Tempo todo.

Vez ou outra, tanto faz;
Tudo em desejo é.
um fechar de olhos, Mesmo.

E as palavras só te tocam mais fundo
por onde os teus olhos já navegaram,
num cais aleatório que abriga naufrágios,
algo como um ponto...
em que ambos são;

Estranhos e estranhas razões,
em dimensões
que algo parecem
entranhas e labirinto,
que nem sempre traduzem
perspectiva em realidades.

Desejos padecem de excessos,
exceto quando você sabe
inexoravelmente o que quer.
E se algo inda transmuta tuas palavras,
é porque você se permite, ocasionalmente,
trapacear ao destino os caprichos
dessa tua curiosidade sem fim.

Pois é quase fúnebre se ver
com olhos de poucas palavras;
E se há de ser destas o motivo
De um sorriso mesclando-se
Em recordações e idéias
que nos perfazem enquanto leitores,
eternos viajantes das mais diversas cronologias,
que aqui elas se perpetuem em reticências...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Universo

O ponto é só que o tempo vai passando
E o gosto dos beijos imaginários
Trespassa a necessidade dos reais,
Tornando-se apenas lembrança ocasional,
Um algo-alguém que está lá,
simplesmente flutuando na memória,
Em eterna expectativa,
E ainda sem preocupar tanto...

Pessoas são complicadas,
E eu sou bastante também,
Então ocasionalmente os caminhos se batem
E os olhos se cruzam, e as semanas passam
E tudo às vezes parece uma espécie de sonho,
Ou uma questão de momento...

O único porém é que a gente tem uma tendência
De querer eternizar esses momentos,
Principalmente quando se olha pra um alguém
Que a gente gosta absurdamente,
E daí vem as reflexões,
os pensamentos,
as saudades...
Tudo em antecipação,
Como que vendo esboços da própria
História, antes dela mal começar.

E essas saudades que não deveriam ser,
Nada além de olhares,
Que não deveriam chegar
Ao ponto das palavras,
Que se tornariam pinturas
De idéias em gestação,
Um tanto criativas e
Quase exponenciais...
Cá se tornam só poesia
Boba, que fica aqui
Pensando em ir
Te procurar, te achar
E ficar batendo papo
Até o dia de hoje
transladar o próximo
em outro, e outro, e mais outro....

E então parecer aos nossos olhos universais
que o sol deu de fato uma volta na terra,
sem que os outros planetas percebessem;
quando tudo na verdade se resumia a Gaia,
brincando de roda com Apolo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Movimento estacionário

Vez ou outra a gente pensa
Em algo como evocar
uma menina, a observar
as ondas de reflexo
do mar dos pensamentos
através duma janela de vidro,

Espelhando sentimentos
em tempos ainda não delineados,
por uma atmosfera de palavras
que vê o vento a deslizar,
úndivago, pelos olhos e cabelos
dessa mesma menina

Que exclama baixinho,
Em pensamentos
E palavras não ditas:
"Uau"

E olha pro céu e diz:
"Você criou esse agora?"

E eis que os sonhos dela
Parecem se tornar oceano,
Seus olhos a refletirem a saudade
Desses dias de imaginária liberdade,
Desses momentos etéreos em que ela
Se desligava dos problemas do mundo
E seus olhos pareciam abrigar
Aquele azul além das janelas de vidro,
Em doces e salgadas porções de infinito,

"Enquanto ela segue pela orla,
o ônibus lotado, engarrafamento,
sete da manhã."

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Palavras que caem

Morena, morena,
E seu estilo único
De vestir os olhos
Azuis do poeta
Numa só conversa,
Num único instante,
Nessas suas falas,
Falésias, fatídicas;

Nesses seus sorrisos
E devaneios lúdicos,
Que brincam com sonhos
E tempos e marés,
Que saltam do topo
Dos montes de areia
Daqueles relógios
De livros egípcios

Para além dos ares
Das linhas e olhares
Do mundo e de amares,

Por aqueles zênites
Feitos de infinito,
Feitos de você,
Feitos n'outro mundo
Além das verdades...

Atrás de pirâmides,
Por entre saudades,
Num único aceno,
Num gesto de olhares.

As marés que mudam,
Os grãos que movem,
As questões e o tempo,
O quanto eu te digo...
Meus sonhos, baixinho,
Meus medos e bobagens,
Meus desejos só teus,

Meus segredos, os seus,
meio que guardados
numa caixinha
Do deserto d'Instante
Chamada Sand-glass...

"Os flocos de areia,
em solitude de neve,
em uma ampulheta
de pessoas repleta
das tuas imagens
mais delineadas..."

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Passagem

Tu tens uma presença quase atmosférica:
Umas pessoas deixas sem ar,
Outras inebriadas,
E outras ainda a flutuar...

Tu vens como a chuva
E deságua nesses nossos olhos
Em folhas de Outono,
Como surpresa das surpresas

Que confundem o pensamento
Em formas estacionárias
E transladam as idéias
De Universos sem fim...
Congelados em devaneio.

São as reflexões momentâneas
que principiam as verdades de Vera,
Tua prima estrela e aquarela
Que mergulha pelos sonhos
E te torna sereia, nereida,
Ninfa das areias que cantarola

As estações e os sonhos de Verão
Ao caminhar dessas águas atemporais
Em que a noite, o céu e a terra
Se juntam em suas idéias aéreas
De cores e estações psicodélicas

Para acompanhar os teus passos flutuantes
Por entre os campos oníricos de Instante.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

200 por dia.

-E aí ô... picolé!
- Zé, Zé! Colé di boa?
-É... Aquilo, né?
-Vixi, rapaiz, e é é?

-Ah, Sacomé, mermão...
"Estação, praça da sé"
- E num é que é?
- É... Tô contigo, de fé.

-Mas e aí, só perambulando, né?
-Só.. Mas quem que qué?
"Abrantes, São caetano"
-Oxi, oxi.. e dá pé?!

-Se dá eu num sei, ué.
Mas o que num pode é essa ré...
Ficar assim, pra sempre a pé.
-É, tô contigo, mermão! Jogue duro!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Acropatias.

Em questão de fechar
os olhos semi-abertos dos devaneios,
égide dos anseios...

A perambular por aí,
flutuando por caminhos,
pergaminhos,
permutâncias,
instâncias de personificações
lhe-bi-diz-antes...

A prear perambeiras,
talvez plantando bananeiras,
talvez pensando demais
em não pesar o não pensar
e não pensar o não-pesar,

Pesar de que'inda torna-se
rodopiante aos olhos
de brinquedo
das finitações
interpretantes
dos teus passos-ensejos
a buscar outras realitudes...

rádio-ativas,
retroativas,
anacronizantes.