terça-feira, 3 de janeiro de 2012
A maçã de alguém
domingo, 16 de outubro de 2011
Diabulus y el Tiempo de las lecturas
sábado, 24 de setembro de 2011
Papiro e Ampulheta
domingo, 11 de setembro de 2011
Basia me

Como condensar experiências em palavras? Vez ou outra me pergunto sobre os que procurei, aqueles que recusei, os que vieram e cá ficaram cristalizados na memória, ou mesmo os que me foram roubados. Vez ou outra me pergunto sobre aqueles que viajei justamente para não encontrar, pois de tão idealizados chegavam a quase tocar a eternidade. Vez ou outra bate aquela vontade de voltar para um único dia transitório e geográfico, eis que lhe extrãno mais que tudo. O tempo passa e parece que mil fragmentos de mim vão se desprendendo pouco a pouco em memórias, em histórias a serem contadas ou ao menos traduzidas nessas linhas que desafogam e conectam. Os lábios perpassam tantas dessas idéias e pulsões e silêncios que pacto e proximidade os tornam unos e o que subexiste são intensidades...
Pois vez ou outra me encontro aqui, os olhos fechados aos que me entrego em-não-prever e fazer das tuas surpresas o meu bálsamo.
domingo, 7 de agosto de 2011
A leitura poética

Na metade do dia
Em um círculo na beira da praia
Sóbrio.
O suor escorre por meus braços
Uma gota de suor na areia
Eu a pressiono com um dedo.
Moedas vermelhas, dinheiro de sangue
Ô mô pai devem pensar que amo muito tudo isso
Mas é só para o pão e a cervejinha e o aluguel
Dinheiro de sangue
Tenso malditos piolhos sinto-me mal.
Mendigos ato-falho, falhando
Uma mulher se levanta,
Atravessa porta-afora
Bate a porta.
Um poema imundo
Já me disseram para não ler poemas assim
Aqui.
Muito tarde.
Algumas linhas se embaçam aos olhos,
Eu leio
Tiritando
Malditos piolhos.
Ninguém escuta minha voz
E digo
É isso, desisto,
Está tudo acabado.
E mais tarde no quarto
Com Scotch e cerveja:
O sangue de um covarde.
Deve ser esse então
O meu destino:
Escrafunchar os centavos dos pequenos corredores escuros
Em que releio poemas de que há muito me cansei.
E costumava eu pensar
Que os homens que dirigiam ônibus
Ou limpavam latrinas
Ou eram assassinados em becos
É que seriam idiotas.
domingo, 24 de julho de 2011
Ensaio

As portas abertas de Outono trincaram no dia em que resolvera sair de casa; não de uma, nem de todas. O vendaval que iria desterrar as raízes de seus passos se insinuou de leve na beira da escada imaginária, daquelas que nos conduzem solícitas em suas falsas geometrias de pintores calados.
As vozes e cores se mesclavam aos ruídos externos, um tom cinza claro de folhas que caem em adeus e perspectiva. Custódia, o impacto singular de se perder aos poucos por esse mundo, de se ver esvair assim quase sem marcas - o peso de olhar para esses olhos mudos que te seduzem, azuis ou verdes assim-sem-cor, que tudo desbota enquanto você guarda esse silêncio-grito-esgaçado-flor de alguém que lhe espera a alguém que lhe traduz.
Inexorável, a apatia da incompreensão. Ela nos devora e consome e insone saliva seus hábitos de fome, seu hálito triste de folhas-secas-sem-amor que só sabem não-voltar, mas que já não sabem onde ir. Pois as gravidades Newtonianas do destino só se negam diante de tornados, eis que as folhas negras queimam em rituais e rodopios a salgar o diabo das recordações.
As recordações! Não fosse elas, você não sofreria processos - já nasceria assim eternamente criança com face de careta-grudada em janela de vidro, sempre a observar e idealizar as outras por entre o vislumbre das fábricas Wonka, corroendo e sonhando por dentro enquanto tudo ao seu redor começaria a flutuar...
“E tu não tens porque agradecer as minhas palavras quase-mudas ou a compreensão sistêmica calejada de nervos e amores. Basta me permitir o silêncio ou suspiro de te guardar e proteger assim, ao tempo de um abraço.”
“...mas não, o mundo se cala e ninguém sabe nem-deonde-nem-dequando-ou-porquê de você ir desvivendo assim aos poucos, de leve, carregando apenas o peso das cobranças sem nexo de todos que não te enxergam. “
“E não sabes tu que penso em ti quando tu te somes e divago assim ao meio da noite por qual destino e viagem perambulas? Que anseio por te ver mesmo que assim tão súbito e sabendo tão pouco e curioso pelos convites sutis dos teus olhos-quase-poentes?”
sábado, 9 de julho de 2011
Horizonte
