domingo, 6 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

You

Tu és brisa em hidrogênio
que energiza minhas sinapses
enquanto nas areias eu espero,
dormentes as engrenagens...

Tu és alma e epiderme,
flash estival carmesim
em que se aquietam as tempestades,
cujos negros olhos são os ecos
de um silêncio abissal abaixo dos poros,
cruzando os ângulos de minha solidez
a retornar em teus pêlos hirtos.

Porque sou apostas e vadiagem,
a refletir a imediatez surda
desses sussurros que se retardam,
enquanto outros explodem
em um milhão de elétricos segundos
além de profecias, suspiro e deicídio.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Fjäril















"Às vezes parece que o mundo desaparece dos meus pés só de ouvir a tua voz..."

Porque se eu tivesse asas como as tuas,
te encontraria em qualquer lugar do mundo
por entre ocasos e madrugadas.

Porque em algum momento,
beira da praia entre estáticas areias,
esses teus olhos oceânicos
que velejaram o mundo inteiro
estão a repousar sob os meus.

Porque me ensinastes a voar
e a ser livre como el aire marítimo,
que trespassa pensamentos
e inebria nossos sentidos
em frações de segundos.

Porque és como el fuego
em teus instantes, tempo e desatino,
inesperado e crepitante o destino
que te fez cruzar o meu caminho.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

El Fuego y la Fotografia




















"As pessoas são livros já escritos; a gente apenas entra na vida delas e desescreve algumas linhas"


Racionalizamos certas coisas em excesso, mesmo sabendo que isso limita os sentidos. Construímos nossos próprios mecanismos de fuga e auto-controle, de tensão, intenção, ironia e disfarce. Acordamos no meio da madrugada a ver o sol nascer e escrever como se todas as palavras fossem partes de si sendo arrancadas, pouco a pouco, como em necessidade canibalística de autoconsumo, efervescência... Fragmentos de conversas, de leituras, de fotos e olhares, palavras e oxigênio em entrelinhas. Caminhamos pelas alamedas da noite em ébria expectativa, a não nos preocupar com destinos e fados - ou mesmo com a involuntariedade dos mesmos - a sermos assim, cativados em momentos e leituras dos mais improváveis e esperados: os teus. Seguramos as mãos de alguém em promessas não verbalizadas, confusas, desajeitadas, sem pressa e desconfiadas, firmes, quentes e urgentes como os mais intensos incêndios, e por isso mesmo inesquecíveis.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Transitar

Entre vermelhos, fogo,
Fjäril, presença,
inconstância, madrugadas,
Morfeus.

Como que movendo-se, por entre folhas,
risadas, fogos-fátuos,
Cuentos de Hadas.

Como que mais uma vez,
em tantos anos,
a fechar os olhos...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Guria

Por um instante,
Parece que tudo silencia
Ao meu redor...

Por um instante,
Só de fechar os olhos
Pensando em você...

Por um instante.
Só de lembrar tuas fotos,
Sonhos e sorrisos.

Só de pensar que um dia
Eu te conheci e te toquei,
Como que através de um espelho...

Por um instante essa física
Que nos sufoca e dilacera
Aos poucos...

Essas curvas pelas quais
Cronos nos leva, assim,
Imprevisíveis...

Por um instante as marcas
De épocas e das tuas palavras.
Daqueles sonhos que a gente
Não esquece, nunca quis esquecer.

Por um instante essas palavras...
Que de repente dá vontade
De dizer que toda poesia
Que existe em mim
Sempre foi você.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Blindfolding

Caminhar para o precipício de olhos vendados. Que outra forma de voar com osso, carne e parafusos, sem risco e em palco improvisado? Teatro é sempre uma arte, parte forma, parte jogo, que guarda algo de mais verdadeiro a sobrepor encenações. Captar essa essência sem o vento batendo na cara é tarefa complexa, mais ainda quando se escreve do centro de um tornado. O colocar da venda, porém, é sempre voluntário; o tirar também. O que muda é descompasso entre tempo necessário para tanto e caminho das reflexões. Quando se está caindo, o tempo é sempre mais curto, mais imediato, impulsivo; quando você flutua, as ampulhetas se quedam, horizontalmente. Perceber a verdadeira intenção das pessoas é aceitar que elas são transitórias, como diria Heráclito, que se modificam por acordo e conveniência. É entender os limites que marcam permanência, ou que desafiam as mentiras e ilusões que contamos para nós mesmos. Porém a própria permanência implica em marcas, cada uma delas com seu cheiro específico, muitas vezes indeléveis. Aceitar tensão e consequências características destas duas forças antagônicas é escolha de poucos, bem como manter decisões até os últimos instantes. Talvez a questão toda seja a de perceber mudanças enquanto processo e realidade, não apenas vislumbre de desejo futuro ou passado.

Não muda o fato de que já vi algemas fechadas em uma mala, que a pessoa carregava por aí ao acaso ou com intenções bastante específicas. Porém, qual não foi minha surpresa ao saber, depois, que ela tinha esquecido das chaves?