"You’re going back to Brazil tomorrow, aren’t you?."
Encontrei-a meio que por acaso, falando sobre empresas, deveres, voo idêntico igualmente prestes a ser cancelado. Ela sabia inglês, estudante de direito, fotógrafa, intérprete, insana; ocaso. Acordei no dia seguinte, as roupas espalhadas, a bagagem ainda lá, ela dormindo nenhum milímetro além de meu corpo, a mente ainda repassando imagens difusas. Fome, encontro, desencontro, câmeras, zumbis, Jackson, killing people, bad jokes, Chii, donuts, smoothies. Chocolate cake. Em algum momento falávamos espanhol ou português quando óculos se batem num daqueles instantes que o tempo desacelera. Jogo, minha voz em seu ouvido, sua perna sobre a minha, o coração palpitante, as palavras quase mudas, os lábios próximos... Inevitar.
Asfixiantes, suspiro e confissão:
- You haven’t asked me the most important question…
- Err… Are you single?
- Not now.
sábado, 11 de dezembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Despertar
Sabe aquela sensação de que tá frio lá fora, e de que seria muito bom continuar debaixo das cobertas? É bem por aí, em termos peludos de urso dorminhoco em caverna. A diferença é que ursos levam a coberta com eles.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Miséria e Diabo
Faltava-lhe a palavra, angústia, o nó na ponta da garganta, o corte, a infame da palavra! Infante o passo, retalho, a vida/ penhasco que se abre primeiro que os olhos. Dilacera o que nem há de nós, e deixa a marca no sorriso dos ossos. Pulso, pulso, um talho, pulso, talho; estava feito.
- Diabo, que esse calor duzinferno num me deixa!!!
Agora pense num rio, leitor, Virgulino e sertão. O sol racha e ilude a narigudez de nosso espírito enviesado e todo dia nos mete um trabuco UVB na cara de 10 às 4 da tarde. Não que Virgulino fosse narigudo, mas por certo olfativo, era ele um desses incidentes que metem raiz em fevereiro e perduram à luz de vela até novembro, quando não se esvaem pouco além das chuvas de março.
Branco por fora, filho de pais preto separado, navalhado em Bahia, São Salvadô. Virgulino tem perfil no orkut, um lampião apagado, meia dúzia de depoimento. Mora na bêra do mar, nem longe nem perto do cais. Eremita que só em sóis e ele é assim que navega; fluxo, refluxo, de tempo em tempo gástrico, o mar a borbulhar em volta do pescoço.
Fala que só a porra, pra si mesmo. Seu sangue ferve quando não consegue entrar na lan house, sala escura, abafada com cheiro de peixe molhado. Vendedor grita do mercado dô’to lado, o burburinho impera e Virgulino se encontra na Europa de Luis XIV, entre bárbaros e espadas; blocos aleatórios de cruz, aço e castelo ele tecla, último minuto no MSN: “O rei há de voltar”.
Paira a dúvida, agreste, como quem açoita o couro no sol a pino. Virgulino se criou em terreiro digital, beira de trânsito histórico-literário, o nome não mais aleatório. Tomou gosto por faca, facão, corte, recorte; virou artesão, desses que traduzem o mundo em madeira. Ganhava uns trocado e de quando em quando lá ia ele pra zona da mata virtual. Tanto foi, foi, que teve dia que não voltou. Parte de si ficou por lá, ébria em possibilidade, bonita, bonita... e real.
Foi este por razão o ponto-chave de sua vida, ou talvez o ponto-e-vírgula. A miséria da Lan house fechou as porta, Virgulino se retou, rugiu, estremeceu, farejou o ar de peixe em busca d’alguma inspiração obscena, e depois de muito matutar, começou a escrever uma carta, enrolou de junto um embrulho e enviou pelos correio. Pois afinal, quem esperaria pra ser um dia Virgulino sem Maria?
- Diabo, que esse calor duzinferno num me deixa!!!
Agora pense num rio, leitor, Virgulino e sertão. O sol racha e ilude a narigudez de nosso espírito enviesado e todo dia nos mete um trabuco UVB na cara de 10 às 4 da tarde. Não que Virgulino fosse narigudo, mas por certo olfativo, era ele um desses incidentes que metem raiz em fevereiro e perduram à luz de vela até novembro, quando não se esvaem pouco além das chuvas de março.
Branco por fora, filho de pais preto separado, navalhado em Bahia, São Salvadô. Virgulino tem perfil no orkut, um lampião apagado, meia dúzia de depoimento. Mora na bêra do mar, nem longe nem perto do cais. Eremita que só em sóis e ele é assim que navega; fluxo, refluxo, de tempo em tempo gástrico, o mar a borbulhar em volta do pescoço.
Fala que só a porra, pra si mesmo. Seu sangue ferve quando não consegue entrar na lan house, sala escura, abafada com cheiro de peixe molhado. Vendedor grita do mercado dô’to lado, o burburinho impera e Virgulino se encontra na Europa de Luis XIV, entre bárbaros e espadas; blocos aleatórios de cruz, aço e castelo ele tecla, último minuto no MSN: “O rei há de voltar”.
Paira a dúvida, agreste, como quem açoita o couro no sol a pino. Virgulino se criou em terreiro digital, beira de trânsito histórico-literário, o nome não mais aleatório. Tomou gosto por faca, facão, corte, recorte; virou artesão, desses que traduzem o mundo em madeira. Ganhava uns trocado e de quando em quando lá ia ele pra zona da mata virtual. Tanto foi, foi, que teve dia que não voltou. Parte de si ficou por lá, ébria em possibilidade, bonita, bonita... e real.
Foi este por razão o ponto-chave de sua vida, ou talvez o ponto-e-vírgula. A miséria da Lan house fechou as porta, Virgulino se retou, rugiu, estremeceu, farejou o ar de peixe em busca d’alguma inspiração obscena, e depois de muito matutar, começou a escrever uma carta, enrolou de junto um embrulho e enviou pelos correio. Pois afinal, quem esperaria pra ser um dia Virgulino sem Maria?
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Ao livro que ainda não li.
Ao livro que ainda não li.
Quanta poesia é arte que infesta tuas idéias,
a impregnar versos sem papel de escutadelas?
Palpáveis em abstrato, quantos de nós
constroem sobre frouxo nexo
os não-delírios de outrém?
Gárgula, observa e basta,
Escoa a água turva,
As sílabas, as perdas, as pernas;
A coisa dura, coisa-pedra.
O vislumbre das olheiras do tradutor narrativo,
Suas falas, sua terra, guerra de seu mundo
Que cá em Bahia mal ouvi falar...
Desinforma o Sensato, incenso, contrasenso;
Forma essa deforma que diz forma:
Desanda, desfaz, desdobra, desonera
O Leitor e o Vestibulático dessa história!
Mas deixa ao vento esse termo terno consumado,
Fato – és o que ainda me resta
D'uma dessas memórias de dezembro...
Quanta poesia é arte que infesta tuas idéias,
a impregnar versos sem papel de escutadelas?
Palpáveis em abstrato, quantos de nós
constroem sobre frouxo nexo
os não-delírios de outrém?
Gárgula, observa e basta,
Escoa a água turva,
As sílabas, as perdas, as pernas;
A coisa dura, coisa-pedra.
O vislumbre das olheiras do tradutor narrativo,
Suas falas, sua terra, guerra de seu mundo
Que cá em Bahia mal ouvi falar...
Desinforma o Sensato, incenso, contrasenso;
Forma essa deforma que diz forma:
Desanda, desfaz, desdobra, desonera
O Leitor e o Vestibulático dessa história!
Mas deixa ao vento esse termo terno consumado,
Fato – és o que ainda me resta
D'uma dessas memórias de dezembro...
domingo, 8 de novembro de 2009
Momento funâmbulo
Lê-se,
como por onde,
como quem vaga
por essa vontade,
insana vontade
de escrever
pela física
dos dedos,
por seu impulso
e movimento.
Sem bem saber
o que lhe bem dizer.
Pois em necessidades pendulares vai o equilibrista, saltando os preâmbulos, os sonhos em pirofagia, a mágica de Loki que perpassa a melancolia incinerante e submerge os palavreares em horas inexatas. Eis que surgem mais fûnambulos, segurando pincéis e vestindo sorrisos, na ponta de cada corda um par de pés ou de asas. Flutuam, no traçado aéreo do invisível, acima do palco principal, e mergulham no ar num instante emudecido. Os pincéis se soltam, os fogos mudam de tom e o pirófago mal tem tempo de assimilar o mundo a explodir em pirotecnia com seu jeito sonhoso de sentir e calar.
Mas afinal, quem não se perde ao contemplar coloridos os malabares da vida?
como por onde,
como quem vaga
por essa vontade,
insana vontade
de escrever
pela física
dos dedos,
por seu impulso
e movimento.
Sem bem saber
o que lhe bem dizer.
Pois em necessidades pendulares vai o equilibrista, saltando os preâmbulos, os sonhos em pirofagia, a mágica de Loki que perpassa a melancolia incinerante e submerge os palavreares em horas inexatas. Eis que surgem mais fûnambulos, segurando pincéis e vestindo sorrisos, na ponta de cada corda um par de pés ou de asas. Flutuam, no traçado aéreo do invisível, acima do palco principal, e mergulham no ar num instante emudecido. Os pincéis se soltam, os fogos mudam de tom e o pirófago mal tem tempo de assimilar o mundo a explodir em pirotecnia com seu jeito sonhoso de sentir e calar.
Mas afinal, quem não se perde ao contemplar coloridos os malabares da vida?
domingo, 2 de agosto de 2009
Líbero viajante em prece.
Brisa, vento e litania. Areia em grãos de prosa, cujo clamor é o som da tarde, o gosto da tarde, o desejo que não arde nem cala em tua alma. O porquê é injustificado, a sorte é talvez o maior de teus pecados ao não esperar nada do mundo além de humanidades. Convicto estás, por entre o fulcro do esquecimento e das lembranças ousar atravessar, ousar extravasar, ousar extenuar essa aflição que te corroe corpo e pensamento, que te queima e torna chama e te impele a viver em algo, em alguém, em você, em ninguém, em Mim, em Deus, em nós, nós, nós sequelados, nós dilacerados pelas amarras da razão, nós entreabertos por essas chagas que atravessam as ondas da inexatidão e reverberam em fantasmas e inércia; nós que supraexistem em imaginações, nós que silenciam e se fecham quando estou ao teu lado, nós que são mais do que eu poderia sonhar, temer, compreender, nós que somos muito mais do que eu jamais poderia esquecer.
Pois como diz o Frank "Fear is the mind killer; the little death that brings obliteration."
Pois como diz o Frank "Fear is the mind killer; the little death that brings obliteration."
terça-feira, 12 de maio de 2009
Feita de Instantes
Como que olhasse,
sem nada dizer
ali quietinha;
Como se falasse,
com aqueles olhos
feito perspectivas;
Como te ouvisse
entre teus desfoques
de-sentidos-só,
D'imagens-só, visse -
nessas tuas palavras;
estáticas-móveis.
- Sonhastes ter asas,
estática, só...
Instantes, sentidos;
Olhares, perdidos...
Sonhos entre nuvens,
extásicas, só!
Silente sorriso,
olhos de momento -
photo, fotográficos.
- Como que vivestes
em eternidades,
trouxestes a ti,
Brisa, de teu mundo
De cantos e encantos
E anônimas idéias.
sem nada dizer
ali quietinha;
Como se falasse,
com aqueles olhos
feito perspectivas;
Como te ouvisse
entre teus desfoques
de-sentidos-só,
D'imagens-só, visse -
nessas tuas palavras;
estáticas-móveis.
- Sonhastes ter asas,
estática, só...
Instantes, sentidos;
Olhares, perdidos...
Sonhos entre nuvens,
extásicas, só!
Silente sorriso,
olhos de momento -
photo, fotográficos.
- Como que vivestes
em eternidades,
trouxestes a ti,
Brisa, de teu mundo
De cantos e encantos
E anônimas idéias.
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