segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Entre a noite e a cidade

Safadas,
As saudades

Que caem
Na gente

Feito gotas
De chuva;

Estáticas,
Se movendo,
Ao contrário.

Dessas
De parar
O tempo,

De virar
A ampulheta...

Dessas
De te trazer

- Ao fechar dos olhos -

Pra bem perto
De mim...

E deixar
Tudo mais leve

Nos silêncios...
Da nossa tempestade.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Valquíria

Você...
Me confunde os sentidos.

Cavalguei no fim deste mundo
Entre o silêncio e o mar,
De janeiro a janeiro,
De minuto a minuto
Ao cruzar dos olhos
Para te encontrar.

Pintei um quadro do universo
Em você,
Ao te tocar
Com minhas palavras azuis.

Escrevi meus pecados
Com cheiro de canela,
Ao contornar
Os teus lábios.

Provei o gosto
Do fogo
Em tuas bocas
De sol e lua.

Provei do meu próprio sangue mordido
Entre teus beijos, teus abraços, teu afago,
Teu desejo de ser sol, aqui, comigo.
  
Encontrei
Em você,
Por entre tantas
As páginas,
Um instante, uma vontade
De navegar até esse mundo acabar...

Por entre o silêncio e o mar. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Das portas abertas

Todos os dias, meu bem, o tempo se derrama em nuvens como se fosse mar. Tua flor é tempestade, tua água escorre de todos os céus.  Do alto do desse  mundo , eu sou o presente que você me deu. No silêncio desses dias que murmuram cores de carnaval, no compasso das trilhas que caçamos pelo horizonte, na carne desse campo que você, de repente, abre no meu peito.  Eu deixo entrar o sol. Escrevo teus passos na lua. Enceno o teu olhar ao assobio do vento. Encarno em mim todas as frases do litoral ao acordar desse mundo. Fico com o gosto praioso da valquíria ao beber de minhas fontes enquanto cavalgo a noite sob a benção de Kali.

Atravesso a aurora.
A pele trepida.    
Sou Eos.
 

domingo, 10 de novembro de 2013

Duas gatas



De repente, a história já não cabe dentro de si. Oceano um dia me mostrou que a vida da gente passa de um jeito diferente, que nosso mundo não pulsa por acaso. Oceano me disse uma vez, com todas as letras, para manter meus sonhos perto de mim.  
 Oceano tinha sete vidas, mas parecia ter uma eternidade ao lado de Chitara. Era inquieta como o fim do mundo em toda a sua sabedoria e charme apocalípticos. Seus olhos e sua boca e seus pulos não paravam um segundo, suas pegadas se estendiam até o teto. Oceano sempre esteve ali, efusiva ou em calmaria, com os olhinhos brilhantes de quem sabe que as dunas e areias de uma história não esperam por você.
 Chitara, por outro lado, sempre esteve em dois lugares. Seus olhos de gata me olhavam com a nostalgia dos viajantes, daqueles cujo corpo só respira quando as malas estão prontas e a estrada se chama liberdade. Sua voz tinha a mesma melodia dos locais que visitamos, em tempos distintos, ou em tempos outros que ainda não escrevi...
 Era um instante curioso aquele, em que ela me fitava os olhos e as estrelas no meio da noite, e silenciava os lábios: “Tem certos momentos em que as palavras não são necessárias...”.  Era um instante, tornou-se epiderme. Que a minha pele, desde então, pulsa e silencia sempre que encontro a tua voz, e a minha poesia se escreve em você a cada vez que te ouço hablar em mis sueños...  

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Silenciosamente

Me tocas em poesia
Com a tua boca,
Me faz bailar
Pelas tuas alamedas,
Ao nosso ritmo
Me faz alvorecer
Entre todas as flores
De teu corpo.

"São coisas lindas
Que eu tenho pra te dar,
Enquanto a noite
Vem nos envolver..."

Fecha os olhos,
Me tornas
Teu tempo
Um instante,
Me entrelaça
Em teus cabelos
De índia,
Em tua sinfonia
De silêncio e luz.
Chamas com teu riso
De guria, me incendeias
Com tua voz de mulher,
Me abraças em teu sol
Amorenado.

"Que a vida é mesmo assim,
Tem certas coisas
Que eu não sei dizer",

Tem certas palavras
Que eu não sei prever,
Tem certos bosques
Que farfalham
Esses textos
De nós dois
Enquanto tu
Amanheces em mim
E caminhas 
Pelos jardins
De meus sonhos.

"Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho"

segunda-feira, 1 de julho de 2013

De eternidades

Que tocam
Ao meu corpo
Ao compor
Da tua partitura...

A minha eternidade
É o tempo do sorriso,
O gosto do afago,
O toque de Vênus
Ao colar das peles,

Que o meu silêncio é assim
Cheio de palavras,
Na minha eternidade
De minutos
Platônicos.

Nessa minha eternidade
Que se não suspira
Devora...

A própria eternidade
Da areia molhada
Pelas cartas
Da cidade
Amorenada.

Num convite aos olhos
Um mar de esfinges,
Um conto ao acaso,

Um em cada passo
No espelho
Nossas asas,
Nossas bocas,
Nossos braços
Entre-nuvens.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Terpsícora


Sabe, tem vezes
Que eu queria
Escrever
Todo amor
Do mundo
Nessas palavras
E entregar
Pra você.

Não queria ter
Versos bonitos
Nem idealizados,
De escrever quem
Não se é.

Queria devorar
A cinética
Da tua poesia
Num movimento assim,
De deixar
As linhas
Perplexas.

Que das cores dessa vida,
Foi da tua pele
A que eu mais gostei.

Que de todas as flores
Do mundo eu quis você,
Não sei, não sei
Ao certo porquê.

Que há um descompasso
Um tremor,
Neste reino
De meu corpo.

E de todas as letras
Que dançam nos silêncios
Da leitura, foi a tua
A quem mais desejei.